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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Sobre a educação

 Montaigne: mais vale uma cabeça bem-feita que bem cheia

Estratégias de Manipulação das Mídias

 citações do livro 'Armas silenciosas para guerras tranquilas':



A estratégia da distração
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')".

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegar o momento.


A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores 
Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

O que se deve ensinar para as crianças do século 21

O filósofo francês Edgar Morin, pensador da cultura no século XX, recebeu da UNESCO a incumbência de sistematizar reflexões que servissem como ponto inicial para se repensar a educação do século XXI e os concentrou em sete eixos imprescindíveis. Ele aborda temas fundamentais, por vezes ignorados nos debates sobre a política educacional. Focando os desafios e incertezas dos tempos atuais, suscita uma revisão de práticas pedagógicas.


1-Combater as cegueiras do conhecimento
A educação é tendenciosa aos pontos de vista daqueles que ensinam. Quando aprendemos, sofremos da ilusão de que o conhecimento empilhado em uma grade curricular seja de uma verdade incontestável, o que nos leva a não discutir outras possibilidades e linhas de pensamento, ou se chegamos a tanto, podemos adquirir vícios e preconceitos a longo prazo. É tarefa do educador alertar sobre essa problemática, tentando amenizar o impacto de um eventual engessamento na linha de raciocínio apresentada, buscando fazer com que o estudante tente pensar "fora da caixa".

2-Conhecimento pertinente
O educador deve ensinar o conhecimento de forma fragmentada e específica, mas também como agregá-lo no sistema total, ou seja, integrar as informações no contexto holístico. De outra forma, o aluno corre o risco de desprezar a utilidade do conteúdo apreendido em outras esferas de experiência ao longo da sua vida, por não perceber as relações multidisciplinares entre elas.


3-A condição Humana
O aluno deve aprender a se conhecer como ser humano complexo, nos contextos físico, biológico, psíquico, cultural, social e histórico. As disciplinas, divididas por assuntos específicos para facilitar a didática, devem ser vistas como ferramentas auxiliares para a compreensão do homem como ser singular e como membro de uma coletividade de indivíduos. O estudo da condição humana é essencial para que o aluno não esqueça da finalidade maior de toda sua aprendizagem e acúmulo de conhecimento ao longo de sua vida.


4-A identidade terrena
É imprescindível que o aluno compreenda que a globalização, evidenciada após as grandes navegações do século XVI, deixou claro que o destino de todos os seres humanos, assim como de toda as espécies da natureza, é integrado. Somos interdependentes e necessariamente solidários. Os regionalismos e segmentações étnico-culturais não devem ser postos em plano prioritário frente a busca das soluções para os problemas globais que afetam indistintamente a todos.

5-Enfrentar as incertezas
O aluno deve ser orientado a estudar o ambiente como continente de infinitas variáveis atuantes em sua modificação. Dessa forma, a imprevisibilidade dos acontecimentos não podem ser vista como indicador de má conduta nas observações da nossa ciência. A incerteza e a inconstância podem ser mitigados até certa forma, mas toleradas baseado no princípio de que é assim que funciona o universo.

6-A compreensão
O ruído da compreensão deve ser constantemente observada durante a aprendizagem. A ignorância dos ritos e costumes componentes de outras identidades culturais não podem ser transformada em barreira para o conhecimento. Humildade e tolerância são primordiais para a quebra desses paradigmas.

7-A ética do gênero humano
O estudante deve ter consciência de sua terra-pátria, mas também aprender a pensar como um cidadão terreno, integrando sua identidade cultural com os demais povos, de forma que seja buscado uma relação de controle mútuo entre a sociedade e os indivíduos pela democracia e conceber a humanidade como comunidade planetária.