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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

foda-se a espécie humana

 Dor de cabeça.

comprei um termômetro, mas deu 36.7.

agora estou sozinho em casa,

na véspera das minhas férias.

as ações caem quase 6%

aquelas mesmas que eu não vendi.

e a C está tentando se dar bem no emprego novo,

estudando lá,

na casa dela.

tomei relaxante muscular,

um analgésico,

estou com o ventilador ligado no 2.

e o mal estar não passa.

seria covid?

ou percepção de que a vida está fora dos trilhos?

acabei hoje o alquimista de Paulo Coelho.

o que me fez pensar…

será que eu estou seguindo minha lenda pessoal?

assisti ao clássico de 62 carnival of souls.

no final a moça era morta,

e os espectros nas janelas nos assombram

até hoje no Netflix.

tem coisa que é clássico, e por isso é copiado,

e tem coisa que é copiado,

porque as pessoa tem preguiça de ler algo novo no livro de receita

e acaba por requentar a mesma polenta com frango de sempre.

eu queria não requentar nada.

mas como dizem por aí, as vezes a gente precisa

estudar os clássicos, antes de bater as nossas asas.

eu queria viajar.

pra longe.

tipo, uma praia deserta onde a água fosse azul

e a cerveja fosse gelada,

e de preferência pagável,

e que a sombra do guarda-sol

não mudasse muito de posição enquanto eu brincasse com a areia

entre os dedos do meu pé.

queria um short, um boné e um óculos de sol,

sentir a maresia,

o cheiro do protetor,

e simplesmente me embebedar,

até quando Deus quisesse.

mas, no entanto

estou no meu quarto,

possivelmente com covid,

(a Europa toda está novamente com covid),

e eu não tenho outra alternativa

que não a de me entreter na velha cidade grande de sempre.

mas não faz mal.

eu posso lidar com isso.

certamente que posso.

não sou mais adolescente.

não preciso mais de amigos pra tomar minha cerveja,

não preciso de academia pra pegar meus pesos,

não preciso de palhaço fazendo careta pra rir.

aliás, sou autossuficiente em risadas.

rio sozinho, tudo dia.

as vezes me sento no sofá do meu apartamento,

de frente para a televisão,

e minha parede amarela,

a que fica atrás da televisão,

(porque as outras são cor de gelo),

e rio sozinho.

não soa natural no começo,

e nem é pra soar.

eu começo de forma tímida,

rá, rá, rá,

e o misto do descompasso com a timidez

soa hilário, e eu acabo rindo de fato.

as vezes me esbaldo em gargalhada,

e me pergunto o que o meu vizinho de parede

acha de mim.

acha que sou bobo?

acha que assisto comédia?

eu odeio comédia. filme, livro, meme…

mas eu não ligo dele achar que assisto comédia.

melhor que ele imaginar que sou um maldito sociopata esquisito.

daqueles que guardam pedaços de cadáver na geladeira.

deixa ele achar que assisto chaves.

eu não preciso provar nada pra ninguém.

olha só pra esse blog.

vazio.

sem leitores.

nem eu mesmo leio o que escrevo.

gosto da ação.

gosto da verve.

gosto do pulsar das teclinhas nos meus dedos.

mas não dou a mínima para o que eu escrevo.

já tentei reler alguma coisa.

já tentei inclusive mexer em algo que escrevi,

mas não deu muito certo.

ficou uma bosta.

porque minhas ideias vem uma encima da outra,

elas encavalam

e lapidar ideia velha funciona pra mim

como passar espanador no touro do wall street.

deixa o tourinho lá empoeirando,

que as mãos dos turistas removem sozinhas o pó.

então

já deixo claro

esse texto,

ou qualquer outro,

não, será, revisad,o

ontem, eu briguei com o mundo.

sabe, o trivial,

quando você discorda da forma como todos levam a vida,

trumpbolsonaroamazôniacovid e tal,

e resolve simplesmente fingir que não é mais parte do time,

sabe o que quero dizer?

da humanidade.

não sou mais humano,

e ponto final.

o que pode acontecer, se eu simplesmente me considerar não humano?

ainda posso regar minhas plantas?

posso andar nas ruas,

beijar a bunda das estátuas de mármore no louvre,

comer o cu do saci nas bodas da meia noite?

se eu posso,

então, não vejo o porque de ter que me considerar ser humano.

sou um eremita da minha espécie.

e ponto final.




segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Questionador com café


   Hoje tomei meu café da manhã fraco, doce, questionador. Fraco e doce eram qualidades do café. Questionador era a de quem o estava bebendo.
   A sensação de estar questionando sempre me vem quando sonho com algo esquisito e diferente, aquele tipo de coisa que no sonho parecia ser certa e lógica, mas que quando acordo pareço discordar como se nada fizesse mais sentido.
   É como ver algo belo sem os óculos fortes para miopia, e descobrir feiura em seus detalhes quando se coloca o óculos novamente.
   Mas nessa minha analogia, ainda não descobri qual é o estado em que se vê tudo focado do jeito certinho, o de vigília ou o de sonho.
   Por isso a sensação de questionador ao tomar meu fraco café adocicado nessa manhã.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Mais amor, menos reunião

Reunião, conjunto de pessoas, unidas por um fim comum. Aglomerado? Agregado comunitário, sociabilidade, obrigação? Não. Reunião não põe pão. Aqui as coisas vão e vem conforme as ondas que já vinham e voltavam ontem ou a meses atrás. 
Nada muda em uma reunião, só amplifica. Mal humor, ansiedade, desespero, desinformação. Alguém denuncia intrigas na reunião. Outro insiste, coage, propina, precisa de asseclas, precisa de participação. Mas para que seu lado mais forte prevaleça suas condições egoístas de impositor. 
Imposição, está aí uma boa palavra que sempre rima com reunião. Vamos comunicar novas regras, novas rotinas, novos horários de atendimento, uma nova ordem de demissão. 
Em massa, individual, quem sabe, está vindo aí uma nova onda, que a nova ordem é cortar gastos, tudo aqui é alto custo. 
O chefe anterior extrapolou, as metas não foram cumpridas, muita coisa que era pra rolar foi pro funil. 
Qual esperança, quem falou em confiança, a ordem do dia é desapego, é trabalho gratuito voluntário, é força tarefa pra empenho no sábado. 
Quem disse que coisa boa aparece quando um amontoado de gente que tem medo uma das outras se aglomera em um cantão. 
Que negócio floresce quando o pior pesadelo é agora o melhor amigo de qualquer pessoa? Um desastre, um cataclismo, Armagedom, mudança de planos, plano b, sem plano algum, o plano agora é montar currículo para mandar mercado afora. Sigilo total, segredo é o mote em qualquer situação. 
Ouviu burburinhos, alguém disse algo que parece que é quase certeza, parece que tudo não passa de ilusão, miragem, mágica, alucinação. 
Ninguém sabe a extensão do prejuízo, ninguém sabe quem errou primeiro, se veio de cima ou de baixo, se cortaram a cabeça da diretoria ou a pancada é pra quem tem RG número par do setor. 
Não adianta, não estressa, respira fundo, olha o coração. 
Três pontos de safena ano passado, já bati um carro, arranhei a van de um terceiro, uma não mas três multas, vinte e cinco pontos na carteira, tudo pelo horário, o maldito relógio, razão mor e pai de todos os atrasos. Vamos ser objetivos. 
E por falar em objetividade, vou contar uma história muito engraçada. É sobre meu filho, aconteceu na escola, ou então é algum vídeo engraçado que eu vi. 
Sim, aquele que vocês também viram, mas vão ter que escutar, afinal sou o chefe, e a vida de vocês me pertencem, pelo menos durante as oito horas seguintes, se não formos contar as horas extras caridosamente doadas e contabilizadas como trabalho voluntário. Como se existisse altruísmo na escravidão. Reunião, conjunto de pessoas, unidas por um fim comum.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Caindo no sonho

Quando você sonha que está caindo é porque conseguiu viajar até o mundo dos sonhos, e lá conseguiu aprender algum segredo. O problema está quando lembra que está dormindo e tenta levar esse segredo que aprendeu para o mundo acordado, e então os guardiões do mundo do sonho fazem com que você caia de volta pra sua cama. E quando acorda, não lembra do segredo, apenas que estava caindo.

Chatisse pela inocência

Quantas vezes já perguntaram para o Jô Soares o que é que tem dentro do copo de café que ele usa no programa?

Quantas vezes já perguntaram pro Dr. Caio Pinto se ele é broxa?

Quantas vezes já perguntaram pra vendedora se além de Promoção se tem Pra mocinha?

A gente acha que só a gente faz a piada...

sábado, 19 de julho de 2014

poeminha ruim mas de boa intenção‏


Picture courtesy of unknown artist
Lili estava na árvore 
de tanto mexer, caiu
o fá viu a cena, correu ajudar
sorriu
A Lili tava caindo
mas nos braços do Fá
ficou
Então se amaram
para sempre
como ninguém que 
existiu
E os dois se beijaram
e vermelha a bochecha do fá 
ficou
Os dois viraram namorados
e tiveram um final feliz
viu?

Só Deus é grande

A Divine Being by orij
Deus existe? Deus não existe. Deus existe? Deus não existe. 
Por que causa tenho que ficar lutando para chegar à uma conclusão final sobre esse assunto? 
Sei que sinto sua presença nas vezes de dúvida, e quando peço que ele apareça sempre sinto que ele me atende. 
Me atende ou me obedece, me atende ou me obedece? 
Obedecer no sentido de ser sua presença apenas efeito placebo da minha imaginação. 
Ou obedecer no sentido de que tradicionalmente parece que Deus tem uma obrigação infinita para conosco, no sentido de que não importa quanto o desprezemos ou contrariemos suas regras, simplesmente voltando atrás e nos arrependendo atende à regra de ouro de torná-lo ao nosso lado novamente. 
Lembro-me de alguns momentos que senti ele na minha presença, e foram momentos que chamei-lhe ao meu lado. 
Será que é assim simplesmente porque nossa teimosia é ínfima frente à paciência titânica do onipresente? 
Ou porque ele mal sabe que nós de fato queríamos maltratá-lo, ou magoá-lo? 
Penso em quantas pessoas gostariam de ser deuses, e gostariam de fato de sentir o prazer de pegar seu lugar para sempre universo afora. 
Coitados, pobres coitados! Não imaginam a tristeza e a solidão que é ser dono de tudo por todo o sempre.

Isso me faz lembrar dos meus sonhos almejados na época de faculdade. 
Me idealizei eterno, ou pelo menos com uma sobre-vida fabulosamente maior que qualquer ser humano já vivo nessa terra. Então me imaginei me formando médico, engenheiro, advogado, sendo um cientista com pesquisas extremamente aprofundadas, um especulador com talento nato apurado por séculos sobre qualquer espécie de negócio, o prefeito, governador, presidente, chanceler mundial, o próprio Fuhrer! 
E então, com todos os bilhões acumuladas, com meus descendentes comandando todo o planeta, nada mais se importando, e toda minha história caminhando para a involução. 
Deixaria minhas fortunas para trás, as guerras, a esperteza e a especulação, a sabedoria e a cultura, e assumiria cargos vulgares, trabalhos ordinários em funções triviais. 

Misturar no mundo, o anonimato, o viver mais um dia simplesmente porque nenhum luxo seria bom pra mim, nenhum castelo grande o suficiente, nenhum exército armado como gostaria exatamente que fosse. 

Então seria vagabundo, bandido, viciado por anos, pederasta, tarado, assassino e corrupto, corruptor e covarde, vacilante e vilão. 
Choraria sem ninguém pra me consolar, encheria meu coração de fúria e de destruição. 
Então, tentaria inventar a morte, mesmo sabendo que ela não poderia existir pra mim. 
Tentaria buscar o niilismo, mesmo sabendo que o nada nem mesmo a meditação e o nirvana poderiam de fato aplacar a mente e o corpo de um ser materialmente imortal. 
Acredito claramente, talvez por arrogância e vislumbre do meu estado atual, que eu buscaria tentar esquecer as experiências passadas, fugiria dos excessos e tentaria em fim ser uma cara normal, como eu ou como você, com um emprego, uma casa, um aluguel e um cartão de crédito para pagar. 
Porque esse são os problemas realmente suportáveis nesse universo, e nenhum outro mais.

Finais não importam


Acaso gostaria eu de me especializar nas preliminares, nos intróitos e nas formalidades iniciais? Sim, porque se eu abrisse e lê-se trechos à esmo, ficaria claro e assumido que estou voltado para a diversão esparsa e imediata, mas aparentemente sinto-me acovardado em assumir que não quero mais ler livro algum, então quando os abro de forma magnífica sentindo seu cheiro de novo com grata novidade no estilo e forma autorais, vou sempre para seus inícios. 


Gosto de coisas novas, e de contar casos furtivos que me aparecem na mente. Tenho alta dificuldade em escrever memórias ou continuar histórias de outros dias. Seria essa atitude um exemplo do espírito nômade e casual que cerceia os grandes projetos de nossa geração?

Percebi algo parecido com minhas leituras. Cada dia que vou na biblioteca, e minhas visitas são diárias, quero ler trechos de um novo livro. Sempre começo do prefácio, e quando ou se os venço, parto para o início do capítulo primeiro. 

Mas de lá sou condenado a nunca mais voltar. O que de fato significa isso? Eu me faço essa pergunta freqüentemente, o porque não dignificar nenhuma obra com um pouco da minha paciência e persistência? 
Sabem vocês, como sei eu que a memória do ser humano não se compara às memórias dos elefantes, então se, de alguma forma voltar a ler esses livros talvez daqui cinco semanas ou anos, tornarei a começá-los novamente da contra capa, sob risco de mal lembrar de que se trata o início do livro e seu primordial incidente incitante.

Quem foge do grito que mora lá dentro?

Quero novo, quero algo novo, que não posso sempre cantar nesse palco canções tão tristes sem verter algumas vezes inspiração.
Quero tédio, só um pouco de tédio, que de estresse e terror vivemos todo o tempo. Um copo de vinho por um minuto de silêncio na minha cabeça, e não falo de garrafa casta, mas coisa fina de boa cepa!

Ai, se me dessem mais tempo, pra falar quanto mais coisa quero, que sou um homem de paixão, rico de amor e cheio de evidências de um não bastar infinito!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Já te revelaram um segredo?


   Hoje aprendi uma coisa nova.
   Quem me contou essa coisa disse pra mim que tinha um segredo há muito tempo guardado, mas que não se importava em compartilhá-lo com alguém: os tempos já eram outros e não valia mais como antigamente.
   Mas confiava em mim porque disse que eu tinha olhos de arqueólogo e poderia me surpreender se contextualizasse a informação. Ou seja, em outras épocas esse segredo seria muito valioso, mas hoje estava guardado em um relicário por valores sentimentais.
   Pessoa z então contou a sua coisa. E, incrível, não é que era um bom segredo mesmo? Posso garantir que eu não conseguiria mantê-lo por pouco mais de 15 anos, como foi o caso; bem, talvez o mantivesse por uns dois ou três anos no máximo.
   Se bem que, envolvia outros, e envolvia o dono. Uns iria achar normal (carpe diem!) mas a grande maioria do povo é conservadora, e poderia dizer que tudo era muito vexaminoso. Obliterante da moral e dos bons custumes, eruditos diriam!
   Ou talvez ninguém dissesse nada, nem ligassem. Difícil dizer, pois tanto tempo se passou, e as coisas não são mais como antes. Mas algo eu posso garantir, categoticamente... eu ficaria pasmo se soubesse a coisa na época em questão.
   Ah, me ajudaria a confirmar uma série de teorias genéricas que fui obrigado a abandonar ao longo do tempo por falta de dados substanciais. Abriria meus olhos para os céticos ante teorias da conspiração. Afinal, não é uma conspiração se pensar. Só era daquele jeito porque era assim que deveria ser feito, e coisas assim devem, pelo menos naquele momento, ser mantidas em completo segredo.
Pelo bem dos envolvidos e de seus parentes desavisados, lógico!
   Pena que hoje não se valorizem mais essas coisas, e a pessoa em si talvez não se sinta tão especial quanto antes... mas por um momento, creio que sua estrela brilhou mais que nunca!
   Hoje não aprendi uma coisa nova, mas três.
   Aprendi algo sobre segredos e pessoas, aprendi o segredo em si da pessoa e, o mais importante, que não importa quanto tempo seu segredo ficou guardado a sete chaves, você sempre vai acabar dando com a língua nos dentes e contar ele para um língua solta como eu!
Brincadeira, eu consigo guardar ele por mais um tempo... quem sabe não é?
:)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.

   Porque o relemos com o mesmo prazer, ou talvez até maior do que o da primeira leitura.
   Um livro é bom se tem uma história que agrada, mas também pode ser bom por seu estilo ou por seus sentidos subliminares.
   Gosto do "Dicionário Kazar" porque me faz sonhar sonhos estranhos, por exemplo.
   Curto muito isso em livros.
   Agora estou lendo algo que me faz sentir bem, pela leveza da leitura: "O nariz de Pasquale".
   Bom, muito bom.
   Porque ele nos leva à uma emboscada: diz que é a história de um turista que decide passar seu ócio em uma cidade exótica, e de fato é isso que nos traz, porém notamos uma grande filosofia através das observações sensíveis das personagens locais através dos olhos nosso protagonista.

   Aclamado por sua estranheza e encanto, este livro conta a história de um advogado de Nova York que foge para uma pequena vila etrusca com sua esposa e bebê e descobre uma comunidade de excêntricos que os fazem se sentir em casa. Bairrista e saboroso como todo descendente de italianos sabe reconhecer!


   "Il Buco está localizado em uma das ruas mais curtas, estreita e escuras de Sutri. 
   Fiel ao seu nome e localização, é um buraco escavado na lateral de um edifício, como se o prédio tivesse sido operado em anos anteriores e que sua ferida não tivesse sido devidamente fechada.


   A sala de jantar de Il Buco não tem mais que cinco mesas, com o resto do espaço ocupado (em ordem de tamanho crescente) pelo refrigerador, Salvatore, e da lareira. Nas paredes de Il Buco - originalmente branco, agora coberto por uma fumaça cinza-patina, se encontram três pequenas pinturas sendo que uma das quais é um retrato de uma mulher que parece ter engasgado com uma salsicha. A pintora era uma mulher que recebeu alguma notoriedade durante a sua vida, e que. segundo Salvatore clama, jantou no Il Buco.

   Apesar das grandes quantidades de calor e fumaça geradas pela lareira, Salvatore encontra-se impávido, deslizando carne dentro e fora das chamas, seus braços passeando sobre a garganta de fogo. As labaredas não afetam Salvatore. Ele é o seu mestre. Salvatore é Vulcano."


   Legal mesmo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Içado, após rendido

 ...do mar mais distante é que te vejo, expondo-se graciosa por sobre o cais do meu desejo, chegando incólume e com ardor ao coração, obliterando meu olhar que vé só fogo e paixão / sereia, bela sereia, me confessa só uma vez/ não tenho ti, não tenho cais, não tenho nada, tudo não passa de uma ilusão.... por que me enganas, bela sereia?

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Confusão arquitetada

   Estou abismado com as possibilidades, a vida é tão curiosa quanto improvável!
   As vezes ando em círculos, vez por outras me esforço pra me perder, só pra conhecer novos caminhos, com luzes novas e brilhos intensos.
   Hoje vejo que a diferença é o prêmio sutil daquele que tem olhos treinados e acuidade para percebê-lo, porque não basta querer ver as coisas com outros olhos, também têm que querer enxergar!
   Calendoscópios, mosaicos e labirintos, que venham todos em sonhos pra mim hoje, que essa noite quero vislumbrar minha paixão sempre inconformada pela diferença! Ah, como é bom ter a liberdade, o frio arrepiante da brisa sobre os cabelos soltos, sentir seu cheiro de perigo, sua ilusão traiçoeira! Hoje quero amá-la, solitário, que pouco se sabe sobre a paz interior que não habite a mais profunda relação unitária entre os céus e o homem em seu pretenso singular. Vamos vento, me carregue, estou pronto pra sentir paixão!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Dias Herméticos

   Quarta-feira fiz uma deliciosa torta que ninguém irá comer. Quinta-feira sem motivo aparente desci 2 estações de metrô depois da minha habitual, só para voltar a pé, e no caminho vi um mercado, entrei e comprei uma pimenteira e um pacote de chá de boldo. E quanto a sexta? 13. Só Deus sabe como será o fim de semana, mas pra mim não interessa.
   Por quê não interessa? Simples. Porque cansei de me interessar pelas coisas, pelos tempos, pelas pessoas, pelos planos, pela vida. Não estou deprimido, triste ou descabido, e pelo contrário do que pareça, continuo sendo um inconformado. A questão é que chega um momento que acredito que todo ser humano com um mínimo de ócio* passa em que percebemos que tudo o que fazemos é um tremendo clichê, um imenso lick de guitarra mundano**, e que não importa quão rápido e longínquo fujamos da maré, sempre seremos pegos por ela. Ou seja, não conseguimos ser originais, únicos, ou qualquer outro lero-lero. Sempre acabamos parte do ciclo vicioso, como diria Belchior, como nossos pais.
Por quê fiz uma torta pra ninguém comer? Por que chutei um copo de leite de quase um litro no tapete só pra limpar depois, por quê desci do metrô pra comprar uma pimenteira que não preciso? Pra ser excêntrico? Talvez. Mas isso não me faz nem um pouco diferente do grupo de habituais paranóicos-maníacos-deturpados-paulistanos do qual infelizmente fujo, mas que vejo agora, faço parte.
   Quero correr, fugir do meu emprego, da minha cidade, dos meus amigos, da minha vida, por um pouquinho só, apenas o suficiente para olhar de fora o sistema o qual faço parte, e ver se realmente sinto falta de algo. Porque dinheiro ou bem material nenhum no mundo me agraciam com a tentação pela longevidade. Quero explodir, quero derreter, quero ser nada, porque a vida inteira eu sofri almejando ser tudo! Ser bombeiro, engenheiro, padeiro, líder intelectual, ser gostoso, ser lindão, ser famoso, ser o maior amigo dos amigos do mundo! Agora quero Isso, esse Isso único, o ser Nada. Nem que seja só por hum ano, 10 dias ou dois segundos. Tenho certeza que só chegando Nisso é que poderei um dia saber se realmente quero alguma coisa. Talvez ser um clichê, por exemplo. Mas um clichê realizado.


*quem não pára(SIC) pra pensar não sofre, mesmo porque não pensa. 
**homenagem ao dia mundial do Rock. Que dia bobo. Prefiro o dia municipal do Forró.  

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Santiago do Chile

Andar à pé em Santiago é uma experiência única. com um plano urbanístico bem definido e agradável, possui um sistema de transporte sensacional, sem contar a educação do povo, que é atencioso e gosta de contar sobre sua cultura e cidade. Curioso, eles conhecem muito sobre o Brasil, desde política até futebol! Com blusa leve deu pra passar praticamente 10 dias de inverno sem problemas, desde que você esteja acompanhado do sol: escureceu ou fechou o tempo esfria muito repentinamente! Um passeio maravilhoso, pra fazer várias vezes na vida. Recomendo!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Oração ao amigo cansado de aconselhar

   Um dia triste na casa torta. Fugi de mim ao encontrar alguém para lamentar.
   Meu Deus, querido e amado de todos, queira seu filho no momento em que ele não pode querer ninguém.
   Espero sozinho que um pranto externo venha, mas só chovem as lágrimas dentro de mim.
   Obrigado àquele que pensa que pode se apiedar desse ser de aço e concreto armado.
   Que só posso dizer que não mereço sua graça, mas aceito as esmolas do seu coração.
   Estou assim, com gripe, com remorso, com saudades de tudo que sonhei e que se foi, sem ter um dia vindo.
   Reza pra essa alma, torce por ela, que tudo se revigore, e que eu posso sorrir novamente pra você.
   Que hoje estou seco de lágrimas, mas cheio de paixão.

sábado, 11 de junho de 2011

Hoje eu vi a violência, mas não quero falar sobre ela.

Por que falar sobre a violência, se hoje é véspera do amor de união, do dia preferido do casal.
Sim, vi o que não devia e fiquei mal, mas talvez nem tanto quando pudesse se não fosse essa bela véspera.
Gosto da solidão desse dia, porque adoro observar pessoas.
Sentir a aflição do presente certo, a cara de dúvida do moço pelo terno largo do pai emprestado, pelo carro do pai emprestado. O sorriso da moça, a maquiagem e os assuntinhos de cabeleireira com as amigas...
Dizem muito sobre o teor comercial dessa data, e coisas e tal.
Ora, a vida é chata sem um pouco de poesia, aceitem as coisas com um sorriso no rosto, hoje é dia das mão dadas!
Porque eu vi a violência hoje, enquanto observava pessoas, e talvez por ser esse dia, véspera do dia dos namorados, preferi abrir meu coração, e esperar um pouco mais de amor no mundo.
Não se sinta obrigado a estar com alguém, ou de ter alguém. Sinta-se obrigado a sorrir pra vida, dar um abraço nela, beijar sua testa e desejar tudo de bom enquanto olha as estrelas apagadas pela grande lua-cheia.
Sinta-se no dever de se amar.
Mas só hoje, porque é véspera do dia dos namorados, dia que se fica na rua  vendo chegar a meia-noite para ver esse evento se desabrochando.
Outros dias, penso em outras coisas. É mais saudável variar. :)


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ódio amador e dor de amor, pois que seja como for, fujo assim da sua apatia!

   Ódio amador e dor de amor, pois que seja como for, fugi assim da apatia! Que coisa essa mais arredia, ficar entediado bem de noite e no final do dia...! Assim não vivo.  
   Prefiro compaixão. E dó! Sim, tenha dó de mim, que não tenho vergonha de ser abençoado com sua elegância e sua inteligência misericordiosa. E, se possível, com seu calor, calor que é meu, bem na mesquinhez do meu coração, que acho que tudo que não posso ter pertence a mim.
   Imagina eu saber que você me odeia, não com o ódio dos tolos que não têm vocação alguma para sentir sentimentos nobres.
Imagina eu ter esse sentimento seu sendo solitário como sou, esfregá-lo com meu viés de avareza que talvez me impeça à retribuição.
   Pensa em ter para mim alguém que pára o tempo com esse gemido de alma, sendo só um ser vivendo o momento mais íntegro que humanos podem ter, o do ódio amador.
   Que sofra assim, poderosa dor de amor, e que as coisas se estanquem só pra você sonhar comigo sem nunca mais me ver. Ou sentir, ou acreditar. A fé de que não há esperança, e de que a vida é eterna dança, dança essa que você não sabe mais acompanhar.
   Deliro sozinho quieto em face, gritando em mente, para que tudo isso seja tal qual descrevo recorrentemente a mim em cada cigarro que fumo até queimar os dedos, e em cada substância que consumo com finalidades de obter a morbidez da temporária torpeza.
   Pois tenho medo da solidão, e do ser só, que pra mim, se transfigura na apatia. Por favor, tenha-me dó!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Devo satisfações?

Então pagarei satisfações. Com juros. O aventureiro que vos fala viajou por lugares inóspitos, praias paradisíacas, enfrentou alucinações e bestas-feras nas ruínas antigas da antiga Hélade e aventuras burocráticas nos centros urbanos mais improváveis para ter, caros leitores, material novo e fresco para escrever.
Mas vou contar essas coisas em partes, ou melhor, em posts. Peço apenas paciência, pois já fiz o papel de herói, agora vou tentar fazer de narrador...