quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Aforismo #1 - Amigos: não confunda sustentáculo com pedúnculo





    Você deve saber diferenciar aqueles que o sustentam daqueles que são sustentados por você. Os primeiros criticam seus excessos nos momentos de seu júbilo e te sustentam no de fraqueza. Os segundos, adulam-no enquanto você tem o que oferecer, e abandonam-no em seus acidentes de percurso.

Rãs desaparecidas? Acharam elas! Que bom!

Matéria completa aqui
Como assim?

O que você entende quando lê essa matéria?

1- Que seis guerrilheiras anfíbias foragidas de alguma região foram resgatadas por tropas aliadas, após anos de sofrimento no front inimigo;

2 - Que 6 espécimes de batráquios fugiram de um laboratório nos anos 80 e graças a marcações em suas pernas (GPS naquela época?), foram encontradas sãs e felizes em algum café Haitiano, com devidos chapéis Panamás e Daiquiris gelados em suas mãos pegajosas;

3 - Sim, eu também cogitei que 6 espécimes tidas como extintas foram reencontradas, mas depois eu pensei: não, o cara que escreveu seria mais explícito em seu título;

:-)

Indubitável irrelevante





Sabe-se ele que importante ele é? Ou se perdeu novamente no inconstante, o pensamento seu mais decorrente, que é ao mundo um indubitável irrelevante, esse mísero senhor elefante?

72 horas - The next three days (2010), direção Paul Haggis

    A partir de um discussão entre mulheres num jantar de dois casais amigos, o diretor põe na nossa cabeça a dúvida sobre a índole da esposa de John Brennan (Russell Crowe). Seria Lara (Elisabeth Banks) violenta, a tal ponto de matar sua chefe? Pois é por isso que vai presa, com provas e tudo o mais suficiente para 20 anos de cadeia.
    Mas John, seguindo o jeito doce e decidido, quase obcecado de outro personagem de Crowe (John Nash em Uma Mente Brilhante), tem fé em sua inocência, e luta por sua absolvição.
    Se o sistema segue suas regras, vez por outra condenando legalmente o incondenável moralmente, poderia alguém forçar regras próprias? O racional é louco quando todos os sãos tornam-se loucos, afinal, não é? Responda quem leu Dom Quixote de la Mancha.
    Com uma sucessão melodramática de tentativas mal sucedidas em ajudar sua mulher e cuidar do seu filho, John procura Damon Pennington (Lian Neelson), um escritor várias vezes fugitivo, e pede conselhos para arquitetar a fuga de sua mulher. O suspense mantém-se durante o planejamento desse ato e no autodidatismo sobre coisas típicas do mundo do crime que irão ajudá-lo em sua empreitada.
    Tudo anda no campo do suspense, até que em um das visitas à Lara, John fica sabendo que ela será transferida para um presídio de maior segurança em 3 dias. Daí, haha, vem o nome do filme. E essa corrida contra o tempo vira o filme para seus momentos de ação.
    Bem legal o filme. Um pouco lento na parte do drama, mas vale a pena o desenrolar.


SPAM: Depois que você assistir, me responda essas perguntas: ela matou mesmo sua chefe? Porque eles ajeitam tudo para mudar nossa opinião. Segunda: ela perdoará ele? Aparentemente, ela gostava de um homem passivo, e sua carinha no final deu a entender que o páreo será difícil. 3º pergunta sacana: Se ela fosse perdoada, imaginando que o tenente achasse o botão, você acha que ela voltaria aos EUA com o filho e diria ao marido: "cara, você é um fora-da-lei, eu não, e não vou arcar com as conseqüencias. Se entregue ou fique por aí meu amigo!", hahaha, sacanagem, a mocinha parece ser idônea, hahaha.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Desolado

    Refugo. Tudo o que sobrou da sua vida de bagunça e ócio, violência e ansiedade tediosa. Refugo.
    Náusea de ser resto de dejetos no azulejo empardecido vizinho da latrina do boteco de estrada. E a vida é eterno enjôo para o incompetente: não era burro o suficiente para ser inofensivo, nem esperto para ir embora após a mágoa generalizada: ficava até apanhar, e sofria o ostracismo com a vergonha de se manter marginal àqueles que machucou.
    Não ia embora. Fedia à malcriação, e seus filhos, que os assim chamo por pô-los ele ao mundo, o destratavam, mal saiam das fraldas.
    Sua mãe sofria de desgosto, mas não o suficiente para ser levada por Deus. Ficava lá, se esgueirando embrulhada numa coberta, sustentando-o com pão, cachaça e palavras de juízo. Qual o quê, ficava com a comida e a aguardente, e em sua embriaguês estapeava e culpava a pobre mulher. Aqui se paga, dizia, e se fiz, foi por você, velha maldita. Em qual situação resolveu pôr-me nessa miséria de mundo! Vadia! Amaldiçoada!
   .... e chorava. Chorava muito. E cobria sua ressaca com cabelo penteado pra trás, parafina e roupinha bem passada. Pedindo perdão pra tudo e todos, como o mais sofredor dos seres. Mas quem de soslaio o olhasse clinicamente, via no seu olhar de cenho a maldade. Hipocrisia dos vermes.
    Escarneado seja, refugo!

Why so Serious?

    Por um momento pensei que a vida fosse ficar mais calma. Tanto tempo longe de tanta gente que não me quer por perto. Até que, tal qual uma lufada de ar quente no balão do meu destino, recebi a predição do cigano:

"você terá um novo colega de cela. e vozes dirão a ele que você é um demônio."


    Levar a vida a sério pra que? Ela acaba logo mesmo...

Gödel, Escher, Bach, um entrelaçamento de gênios brilhantes

    Livro vencedor do Prémio Pulitzer escrito pelo acadêmico norte-americano Douglas Hofstadter, GED, como costuma ser chamado para os íntimos, foi publicado em 1979 e é citado em rodinha acadêmica e em chat nerd até os dias de hoje.
    E é legal, bem legal. Quando você o lê, imagina que vai aprender sobre a vida desses três gênios e um eventual entrelaçamento entre suas obras.
    Mas as coisas vão mais além... digamos que eles são os coadjuvantes de base de um imenso bololô cultural.
    De lógica, recorrência à budismo zen e colônias de formigas, o autor passa por diversos assuntos do conhecimento humano em uma profusão de informações, aforismos e cânones literários num emaranhado de paradoxos e aforismos que confundem o leitor sobre qual é realmente o tema da obra.
    Tal qual um quadro de Escher, que nos mostra belo, talvez mesmo pelo absurdo de nos imaginarmos dando voltas em escadarias impossíveis, o labirinto que esse livro nos faz penetrar é tão vertiginoso quanto contagiante.
    Bom, bom demais, mesmo não o terminando. Para quem gosta de música teórica, lógica da estética e matérias exatas como hobby.
    Porque, como diz a inscrição ao redor do big ben uspiano na Praça do Relógio:  "No universo da cultura o centro está em toda parte." - bem falado, sr. Miguel Reale.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Santa Muerte, padroeira dos traficantes

    No México, assim como nas comunidades latinas imigradas nos Estados Unidos, é comum encontrar capelas e itens relacionadas à Doña Sebastiana, a Santa Muerte.
    Entidade pagã para os católicos, que inclusive treinam exorcistas para proteger os crentes cidadãos de sua influência mística
    Sua réplica em estátua é encontrada em cores específicas para o que se deseja:
    vermelha - amor;
    verde - ajuda financeira;
    preta - proteção;
    branca - sorte;
    Vestida como São Miguel Arcanjo, com foice e balança nas mãos, ou como Virgem Maria, com manto e coroa, não só zela pelas causas violentas, como seqüestro, tráfico e morte, como também protege aqueles que eventualmente podem ser vítimas delas. Tudo a seu preço, claro: marijuana, cigarro, frutas, doces, tequila.
    Existem relatos do século 18 sobre indígenas do México que amarravam esqueletos e os chantageavam com amarrações em troca de pedidos concedidos.
    As lendas chegam até os tempos de Veracruz, quando um feiticeiro clamou ter sonhado com a morte personificada. A aparição aconselhou-o a criar uma imagem e adorá-la, em troca de morte indolor aos devotos.
    Por quê as pessoas fogem das tradicionais religiões em busca de cultos novos, pseudo-santos, divindades pagãs? Não suportam as promessas antigas já desgastadas pelo tempo, ou buscam coberturas para novos valores? Doña Sebastiana, zele por minha morte, me socorra!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Paradoxo da obviedade





É óbvio que seriam só flores, se eles fossem poetas
e tivessem amores...
É óbvio que seriam só dores, se eles fossem só prosa,
e tivessem rancores...
É óbvio.

Tão pequeno já fujindo do tempo!

    Quando era pequeno, sempre me preocupava com o tempo.  
    Perguntava ao meu pai, meu tio, aos professores, ao vizinho, tudo o que podia pra saber sobre os prazos da vida.
    "Pai, com quantos anos tem que começar pra ser faixa-preta de Karate?"
    "Professora, com quantos anos tem que ter pra ser pianista?"
    ... e eu tinha medo, muito receio e ansiedade. Os prazos sempre venciam pra tudo:
    "Pra ser competidor de bicicleta, tem que começar lá pelos 5 anos, pra virar cientista, tem que começar a faculdade bem novinho!"
    Tenso! Imagine pra mim, criança aniversariada de novembro, que tudo na vida começa atrasado!
    Então largava tudo pra depois... porque lá na frente eu vejo o que faço!
    ....e curioso! Depois tudo ficou melhor, quando o tempo mesmo deu a resposta pra mim!
    É incrível, mas depois de crescido, percebi que dá pra ser um bom karateca começando a treinar com 26, dá pra ser cientísta sendo retardado (bem, semi-retardado) na escola, dá pra aprender a pintar, desenhar, escalar montanhas, tudo em qualquer tempo. Mesmo porque, se começar a tocar flauta com 34 anos, terá 10 anos de experiência com flauta aos 44!
    "Ah, mas eu vou estar muito velho até lá, eu queria saber tocar agora!"
    "Não amigo, vai ter de ter paciência. É assim que as coisas funcionam!!!"
 
    O vetor é a vontade, não a época pra se começar.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Anônimo Nerd.






    Existem apenas 10 tipos de pessoas neste mundo: as que entendem códigos binários e as que não entendem!
(anônimo)

Minha mulher ideal

    Alguém por desaforo, escárnio ou sadismo torpe, desferiu-me que sou fácil com amores e que me apego a qualquer caso.
  
    Fugi das acusações com riso fácil e frases-feitas, mas revirei-me na mesa de lata do boteco a refletir.
  
    Tenho um objetivo, um ideal a ser atingido? De fato, precisava definir. Delinear. Desenhá-la.
  
    Como seria minha mulher ideal.  
  
    Não precisa muito pra ser minha mulher ideal. Tem que sorrir quando estiver triste, ser melancólica na felicidade, chorar sem motivo algum só pra ganhar colo, amar incondicionalente sem cobrar.

    Ser engraçada na frente dos amigos, séria frente aos problemas, romântica nos momentos de solidão do casal, e parecer sofrer de saudades toda vez que olhar pela janela em um dia chuvoso...

    Mulheres assim, com olhar doce, lábios angelicais, oferecem ternura, e parecem ser frágeis como uma flor, mesmo sendo fortes por dentro e mostrando segurança nos momentos de fraqueza do amado....

    ... mulheres assim são perfeitas, independentes da beleza, da moda, da situação social e das jóias que usam sobre seus corpos.

    Em sentido lato uma princesa. A minha princesa.
  
    Posto que a reflexão levou-me à razão novamente, retornei a minha posição de ébrio habitual e entornei o caldo novamente.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Livro de cabeceira

Cum concordantiis veterls et novi Testamenti et sacrorum canonum: nee non et additionibus in marginalibus varietatis diversorum textuum... Lugduni per M. Jacobum Sacon. Expensis Antonii Koberger, Nurembergens., 1522. in-fol. Printed in red and black. Title embraced with borders a. mark by Sacon. Woodcut on full-page by Hans Springinklee (S. Jerom and the lion) two on semipage (creation of Eve by Springinklee and the king Solomon on a bed) and a great number of magnificent little figures on wood a. numerous initials.149 Willer, О. Collectio in unum corpus, omnium librorum Hebraeorum, Graec, Latin., necnon Germanice, Irai., Gall. & Hisp. scriptorum qui in nundinis Francofurtensibus 1564—1592 venales extiterunt. Francof. ex off. Nicc. Bassaei, 1592. 4t°. 3 parts in 1 vol. veil. 60.—
One of the earliest bibliographies in systematical order comprising Willer's Catalogi novi nundinarum from 1564 up to 1592. Cf. Schneider, Handb. d. Bibl. 184.

Panzer VIII, 17,742. Rare edition. — At the beginning a few water-stains, but generally a good copy.
154 — Liber II de mundi historia cum comment. Jac. Mil ich i i. Francof, P. Brubach, 1543. 4t°. W. many astronom. diagrams, at end a Janus-head. Wooden boards cov. w. richly blind stamped vellum, 2 clasps. 20.—
Contains at the end: Gratio de dignitate astrologiae dicta a Jac. Milichio. Possessor's entry on title. Fine copy.
BOTANICS [Plinius] — CLASSICS [Aeschines — Aristophanes]. 292 Ammianus Marcellinus. Rerum sub Impp. Constantio, Juliano, Ioviano, Valentiniano et Valente per XXVI annos gestarum Historia. Lugd., Franc, le Preux, 1600. 8v°. Limp veil. 8.—

223 Apuleius Mad. Floridorum Libri IV. De Dogmate Piatonis l. l. De Philosophia l. I. Argent., Schurer, 1516. 4t°. 36 ff. W. a woodcut border on title, cut off on top, fine rubricated initials on cribble ground. Hf. cf. MS. notes by a contemp. hand. 15.—
Proctor 10242. Schmidt 193. Rare edition. Title and first leaf defective.
224 Avianus. Aesopicarum fabularum liber. A Th. Pulmanno in lucem ed. Antverp., ex off. C. Plantini, 1585. 16m°. sew. 6.—
225 Caesar. Rerum ab se gestarum commentarii. Lyon, d-line; printer's mark at the end. Hf. veil. 36.—
Panzer IX, 413, 39 b. On title several notes, some marginal annotations, somewhat stained towards the end, last two leaves repaired on margins, but generally a good copy.
203 Rhinuccino interpr. Eusebius contra Hieroclem. Zenob. Acciolo
interpr. Lutetiae, Gul. Cavellat, 1555. 16TM°. Hf.-cf. 8.—
204 — Delia vita di Appollonio Tianeo. Trad, per Fr. Baldelli. Fiorenza, L. Torrentlno, 1549. 8v°. With numer. small woodcut-initials, veil. 6.—

208 — Foxius, Seb. Commentatio in decern Platonis libros de Republica. Baslleae, Oporlnus, 1554. fol. (20:30,3 cm). Full brown calf, with fine borders, the sides are divided by dotted lines into lozenges, wherein double-crosses (Lorrain-Cross), with which the sides are thickly, studded; back decorated in the same manner as the sides, gilt edges. 300.—
Fine example of a so-called „Repetltions-Elnband". Except for slight damages on frontcover well preserved.

122 Epistolae apostolicae, Pauli Jacobi, Petri. Johannis et Judae. Item apocalyps.
Johannis, Epistola Des. Erasmi de philosophia Euangelica. Argentorati, Joh.
Cnobloch, 1523. 8v°. W. interesting woodc. border on title, printer's mark atend. Blind stamped veil., 2 clasps. 60.—

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Luto








Pensando um pouquinho em uma grande amiga que se foi, e que deixou grandes lembranças.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Mal de Cobb , Dolores de Teddy - Tramando paralelo entre Ilha do Medo (Shutter Island, 2010) e A Origem (Inception, 2010)

    Quantos conflitos esse ano para nosso amigo DiCaprio, que enfrentou dois tramas psicológicos que envolviam suas mulheres mortas!
    E curiosa coincidência, ambos os filmes falavam, mesmo que de maneira diferente e com diferentes linguagens, sobre as camadas possíveis de realidade, ou meandros entre essa e a ilusão.
    Enquanto Shutter Island de Martin Scorcese explora a delicada sanidade de Teddy Daniels aplicada à uma possível e sofisticada conspiração em um sanatório insular da America pós-guerra, Inception, de Christopher Nolan  lida com a idéia de manipular as múltiplas camadas de consciência vistas pelo ser humano como uma matiz entre sonho e vigília.
    Ambos os filmes usam alguns elementos comuns, no meu ponto de vista. Os dois personagens de Leonardo DiCaprio têm como grilos-falantes suas falecidas esposas que aparecem constantemente ao longo dos enredos para dar conselhos contraditórios que em alguns momentos pensamos conter a chave para os enigmas que permeiam suas histórias. As duas parecem de forma esfumada terem perdido suas sanidades por seus maridos, e agora clamam por sua demência.
    Nos dois filmes o herói possui seus condutores pelo inferno astral em que vivem, Ariadne pelos sonhos com Cobb e  Chuck pelos desvairios na ilha com Teddy. Existem "mentores" por trás dos dois: Miles e Dr Jonh Cawley. Quanto à mente que propõe o Enigma, nos vemos induzidos a seguir os sonhos de Robert Fischer tanto quanto à infanticida Rachel em sua suposta fuga.
O desfecho dos filmes seguem uma linha de raciocínio curiosa: parecem abertos, pois traduzimos uma grande miragem com Cobb voltando às suas crianças e Teddy enlouquecendo de fato.
    Cada diretor escolheu sua forma de nos mostrar isso: Nolan optou pela cena do pião cortada pouco antes de sua possível queda, escondendo da platéia a veracidade daquela realidade em que rodava, tornando-a ambígua.
    Scorcese preferiu como solução singela uma frase. Dita por Teddy a Chuck pouco antes de ir rumo à sua inevitável lobotomia no final do enredo, exprime o paradoxo dos dois filmes, e pra mim traz a solução para seus finais misteriosos:
    - O que poderia ser pior, viver como um monstro ou morrer como um homem bom?

Juscelino Kubitschek

Flexível, não se acanhava de mudar de idéia quando necessário: "Não tenho compromisso com o erro", insistia.

Informal, mas nunca vulgar, Juscelino Kubitschek tinha hábitos simples – um dos quais, tirar os sapatos, fazia a delícia dos fotógrafos. Teria, quando jovem, machucado um dedo, e sempre que podia liberava os pés – os pés que lhe valeram fama de exímio dançarino. Mesmo que fosse em presença de uma beldade como a atriz americana Kim Novak, em cuja companhia foi fotografado – ambos descalços, numa cena que inspirou bela página do escritor Nelson Rodrigues.


fonte: http://www.projetomemoria.art.br/JK/biografia/3_homem.html#

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Perestróika da Melancolia em Puro Pavê

    Um gato preto passeava num muro incendiado pela lua cheia, vagaroso, observando detalhes dos telhados das casas que via desse ponto privilegiado de vista.
    Um cachorro peludo e desgrenhado, mais parecido com o cruzamento de ovelha com as vira-latas das vielas, observava o gato, quieto, ali em baixo do muro, esperando o gato saltar, só pra pregar-lhe um susto daqueles.
    Um ratinho cinza, assustado, com o coração pulando como dançava em adrenalinas mil de mil medos, estava em uma fresta escura, só de focinho pra fora, esperando avidamente o cachorro ir embora para cuidar dos problemas da sua vida.
    O tempo passava, o gato andava de um lado para o outro do muro, o cachorro abria a boca de tédio e o ratinho tilintava de ansiedade e de todo sustos.
    Pôs-se o gato a miar, miar pra rua, buscando uma fêmea que pudesse dar-lhe a prática de uma noite de núpcias.  Segurou o cachorro o uivo para lua, que sabia ser bela, mas seu tributo tinha espera da caça na espreita.
    E o rato, que puxa, esse rato, que só fazia esperar e esperar, com toda a sua fome e desejos de sobreviver nesse mundinho hostil. Vai não vai, vai não vai, foi, pata ante pata, tentando atravessar o canino amedrontador.
    Eis que uma janela se abriu, e uma bota voou, assoviando seu caminho na cabeça do gato, certeira, deixando miado e tranco num rodopio, jogando o bichano feito dado viciado em cima do cachorro, que estava quase cochilando, e que agora latia num susto, escuso de garras de felino nas costas, pulando de surpresa e dor! O rato tão próximo todo se arrepiou, estalou mais ainda os olhinhos e paralisou quando viu que o gato naqueles xiliques o havia avistado, e feito juras num contato visual.
   Quanta confusão, quanta agonia! Se todos girando num pião justo de comoção da briga armada, gato, cachorro e rato correndo atrás uns dos outros, percebessem o cheiro do pavê proveniente daquela janela aberta.... e no final, perceberam: um odor de comida típica, característico tapa na cara dos três animais famintos.
   A briga acalmou, todos se aquietaram, levantando seus focinhos para sentir os sons daquela sinfonia olfativa..... e pouco a pouco cada um foi... do seus jeito, meio que de lado, embora.... pensando em suas melancolias gastronômicas que só o pavê podia proporcionar, naquela hora, naquela janela tão inacessível quanto o coração dos homens, o santo graal das guloseimas (CONTINUA)....

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Provisões em puro Pê

Um pouco puto o papagaio perdeu pena de pensar
que poderia perder pompa se pudesse apaixonar
a periquita tão peposa prum petardo dum pitu
que passeava pelo palco de um palácio pluvial

A panacéia do paspalho não pisava em piso próprio
pois para pintar parto de um pinto parido de pai pitu
precisa partir do ponto que periquita não põe pantufa
nem se apinha com tipos limpa-pedras de poças por aí




O papagaio plagiou um plano parco de um pinéu
e produziu as picardias pra profanar com seu pincel
a polvorosa propensão da periquita em povoar
todo o planeta com o amparo do aparvalhado do pitu

Passou tempo em impropérios pra pagar um pequinês
para apurar na cepa pensa um pequeno e puro pau
que aparasse pois as pernas do pitu propriamente
e pegasse pra apagar da periquita paixão pungente   








Mas o panguão do aplumado padeceu na peripécia
e se apoderou apimpalhado de poderosa amnésia
se esquecendo do pitu, da periquita e de seu degringolê
e até mesmo que tentava rimar tuco com o pê!

A origem (Inception, 2010), direção Christofer Nolan

    Sonhos dentro de sonhos, viver em sono, num grande aquário que de pouca em pouca vez se pula pra olhar o curioso mundo de fora, o da vigília.
    Dizem que o povo Kazar dominava essa técnica, e que os kazares usavam-na com primazia para obter de seus inimigos posições favoráveis em dias de guerra, e comprometimentos de aliados nos de paz.
    Christofer Nolan usou desse tema para trabalhar em seu novo Matrix, o Inception, filme que diz ter idealizado e trabalhado desde então em 2001.
    Gostei da idéia, achei-a muito curiosa e com viés para uma eventual trilogia. Mas pecou por excessivas cenas de ação, desnecessárias para o enredo e nocivas o suficiente para vampirar tempo suficiente de película para eventuais explorações do universo lúdico de Morfeu.
    Seu mundo, complexo e cheio de regras propostas pelo autor, ao invés de ser explorado em seus tramites,  foi exposto tal qual uma crônica de uma personagem, Cobb, que aparentemente é perseguido por uma grande corporação e precisa fazer um trabalho hercúleo para conseguir sua redenção: entrar nos sonhos de um alvo e plantar-lhe uma idéia na cabeça.
    Vai então com sua equipe através dos diversos ciclos compartilhados do sub-consciente de seus membros e da vítima em si até achar o ponto crucial em que a idéia pareça ter sido criada pela própria, de forma que vingue.
    Mas os desafios aumentam à medida que percebem que essa pessoa possuia treinamento para se proteger de invasões. E como toque de classe, temos o Nêmesis da história, a projeção da esposa morta (morta?) de Cobb, que os persegue em todos os níveis de sonho dessa aventura, dado que seu sub-consciente também faz parte do universo compartilhado.
    É possível entender o que é realidade ou o que é ilusão? Existe de fato uma realidade, ou tudo é uma ilusão dentro de outra? A obra de Nolan brinca com isso, num domínio que só os kazares entendiam de fato: os sonhos. Mas os kazares foram extintos ou assimilados há séculos, e só nos resta então especular o que de fato o famoso diretor de Memento quis nos mostrar, e torcer para que aja seqüelas de sua obra para um superior entendimento de seu trabalho, que é bem legal. Mas sem tantas cenas de ação com soldadinhos de chumbo, por favor!

PS. Tudo foi um sonho de Milles? Cobb foi só seu peão, manipulado pelas mãos de sua Ariadne?
PS2. Tudo foi um sonho de Nolan? Nós somos apenas peões, manipulados pelas mãos de seu Cobb?

Meus atos nos dias de vento

...
Um dia por semana dos meses de vento viril, macho, dedico-me à fertilizar a terra. Dos sonhos, do sono, do reino, dos mil encantos, da vida paralela em baixo da minha real-bela que está pronta e no cio, e que chora em busca do geminador. Da semente, da fécula, do estigma, da fagulha transcedental, do sopro divino, do divino choro gerador, da divina comédia trágica do inferno na terra, quente do atrito do sexo em que a fecunda.

Em um dia aleatório dos meses atrofiados de um ano doente, eu choro a morte dos meus ancestrais, apodreço meus sonhos, tusso a tosse tísica dos fracassados, e encaro de frente minhas costas num espelho que só isso sabe, pra lembrar pros outros dias da minha vida que tristeza é longa e não passa, e só um demente entra em seus trilhos de trem ausente pra enfrentá-la.

Uma semana de chuva nos dias de bissexto casual subo na montanha mais alta e bato em meu peito pra liberar grito forte, animal, demarcando territórios que ninguém dos mil horizontes ainda conhece, e de mil lugarejos próximos que alguém desconhece. Sou dono de tudo e de quaisquer que vivam aqui e lá, e se peço algo, num retumbar da minha força, sou logo atendido pelo meu esplendor. Nessa montanha, sou santo, sou deus, sou chuva e sol para os povos da gaia.

Se respondo esse e-mail em uma terça-leitosa, que seja dia de feira ou de semana, é para lembrar que minha presença proclama, exclama, reclama, e se faz sentir freqüente por tudo o que penso e sou. Sua solidão é atroz pra um alguém que sempre andou solitário por esse mundo, sua compaixão é ineficaz para quem sempre foi poço de compaixão. Se tenho mais que mil e duzentos amigos no mundo, tenho mais que mil e duzentos nenhuns sofrendo por mim e por causa de mim, para e pelo meu bel prazer de não poder agradar a tudo.

Minha presença assim é real. Imperiosa e viva, nas suas mente e alma(SIC).

Assim afirmo.
f

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

São José do Rio Preto

Vista da Represa de Rio Preto
    São Hell City, paradisíaca cidade do interior de São Paulo fundada por mineiros. Não imaginava o que iria encontrar lá, quando fui passear sem lenço nesse feriado  da proclamação da República.
    Linda, quente, limpa, cidade educada e muito agitada. Posso garantir que 3 dias só serviram para me apaixonar, pois é muito pouco tempo pra conhecer pessoas tão alegres que incendeiam a cidade com um contágio que não cheguei nem a presenciar na interiorana Ourinhos, terra dos meus que costumo visitar todos os anos.
    Prepare-se para muito sertanejo, idolatrado nos arredores. Mas também para se surpreender com uma vida noturna muito agitada, com direito a culinária diversificada, e bares muito bem freqüentados, além das festas esporádicas.
Thermas dos Laranjais
    Quando estive lá, fui na http://www.choppfest.com/, na Vila Conte, um lugar bem bucólico pra "ornar" com o Leitão à Paraguaia, chopp Brahma e som de Rodeio. Muito legal. Fui também ao curioso e divertido Vila Dionísio, um super Pub muito legal com um cardápio de centenas de cervejas e vários graus centígrados abaixo do calorão da cidade, além de um repertório de bandas da diretoria http://www.viladionisio.com.br/riopreto.php.
    E porque não dizer, aproveitando minha estadia na região, andei alguns quilômetros à mais até Olímpia para as Thermas dos Laranjais http://www.thermasdeolimpia.com. Passeio top para descansar, tomar cerveja com os amigos e curtir muitas piscinas com água vulcânica.
    Passeio imperdível. Recomendo com força para qualquer um. Posso pedir de aniversário 1 ano de passeio em São José do Rio Preto?

Crianças Azuis vivem chumbando o caneco.

Terráqueos são lunáticos. Marcianos são seres solares. Que vivem ímpares e em bares....

Assim é ser um Inca, um inca em parte, um Inca de Marte.

Não digo nunca pra nada que não possa ser negado. E tudo pode. E não digo nada pro tudo. E digo tudo pro nada. Por nada. Pra tudo;

Como o que é que por que quer? Se quer? Ah quer!

Informações incognissíveis. Inacessíveis ao olho nu da mentalidade doida dos lunáticos desse planeta....terra e água.

Planeta terra e água. Nota que 2 terços dele é azul? Porque o equilíbrio da humanidade depende dessa assimétrica distribuição.

E você nota que vivemos no 1 terço terracota? É pros pontinhos azuis nela piscarem. E brilharem!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Arcabouço do mistério

Acredito na existência da fé.

Mas existem coisas acima dela.

E eu, através de imersões bárbaras, julgo ter testemunhado um esboço do que seriam elas.

Mas ainda não sei o que são, ainda não entendo o que vejo, escuto e ouço.

Também não sei se vêm das vanglórias do céu, ou das profundezas da terra, do mal.

Mas sei que são coisas bem acima da fé.

Dá medo tanta força a ser descoberta, incontável e inconcebível talvez ao cérebro humano.

Coisas que estupefariam o cérebro, levando talvez a insanidade.

Mas tenho que descobrí-las. Tenho.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Isadora Duncan

"A beleza da arte não é feita de ornamentos, mas daquilo que flui da alma humana inspirada e do corpo que é seu símbolo..."

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Visitantes de Tongkonan layuk

Vitrine de mortos no penhasco
     Entre os moradores de Kalimantan e os de Molluccas, viventes da Indonésia, existe o costume de mumificar seus mortos e deixá-los com seus pertences habituais de moradores do além em um local onde possam bisbilhotar a vida dos vivos.
     Segundo sua classe, nobreza, e condições financeiras, podem deixar seus ancestrais desde em cavernas, túmulos de pedra esculpidos a até o máximo das honras voyerísticas: pendurá-los em penhascos com ranhuras feitas na rocha para esse fim.
     O processo é muito dispendioso para a família e costuma durar muito tempo, as vezes chegando a durar anos até o ritual de depositar em seu local de descanso eterno. Nesse ínterim, os mortos ficam hospedados nas casas cerimoniais que são feitas para reunião de família e recepção de visitas, as Tongkonan.
Tongkonan
     Tongkonan são casas construídas sobre estacas em forma de barco, e são tão imponentes quanto importantes e influentes forem as famílias.
     A intenção desses sítios é justamente a recepção e integração de pessoas, e não objetos de moradas.
     Apenas, no caso, para nossos amigos temporários, os mortos que estão sendo mumificados.
     Curioso imaginar então, que quando for visitar Sulawesi, ilha principal desse exótico arquipélago, terá chance de ser recepcionado por algum nativo que o convidará para tomar chá na Tongkonan de sua família, e não será muito difícil ver sentado nas cadeiras ao seu lado talvez duas ou três cadáveres embrulhados em panos e embebidos de ungüentos sagrados esperando seu cantinho ser terminado.
Dizem que em momentos próximos do final do ritual, alguns cadáveres seguem sozinhos o caminho até suas criptas a céu aberto.
     Quando isso acontece, avisam os habitantes locais que não se deve tocá-los, olhar em seus olhos e nem mesmo chamá-los pelo nome.
     Ninguém sabe o que acontece se essas leis forem quebradas: todo mundo lá faz muita questão de respeitá-las quando isso acontece, e imagino que eu faria o mesmo se presenciasse de fato algo tão insólito na minha frente.
     Coisa que acredito não poder vivenciar, considerando que os últimos relatos de múmias andando como zumbis já remetem a algumas décadas. Creio que hoje os mortos preferem sombra e água fresca desde que morrem, deixando-se serem carregados.