sábado, 19 de julho de 2014

Só Deus é grande

A Divine Being by orij
Deus existe? Deus não existe. Deus existe? Deus não existe. 
Por que causa tenho que ficar lutando para chegar à uma conclusão final sobre esse assunto? 
Sei que sinto sua presença nas vezes de dúvida, e quando peço que ele apareça sempre sinto que ele me atende. 
Me atende ou me obedece, me atende ou me obedece? 
Obedecer no sentido de ser sua presença apenas efeito placebo da minha imaginação. 
Ou obedecer no sentido de que tradicionalmente parece que Deus tem uma obrigação infinita para conosco, no sentido de que não importa quanto o desprezemos ou contrariemos suas regras, simplesmente voltando atrás e nos arrependendo atende à regra de ouro de torná-lo ao nosso lado novamente. 
Lembro-me de alguns momentos que senti ele na minha presença, e foram momentos que chamei-lhe ao meu lado. 
Será que é assim simplesmente porque nossa teimosia é ínfima frente à paciência titânica do onipresente? 
Ou porque ele mal sabe que nós de fato queríamos maltratá-lo, ou magoá-lo? 
Penso em quantas pessoas gostariam de ser deuses, e gostariam de fato de sentir o prazer de pegar seu lugar para sempre universo afora. 
Coitados, pobres coitados! Não imaginam a tristeza e a solidão que é ser dono de tudo por todo o sempre.

Isso me faz lembrar dos meus sonhos almejados na época de faculdade. 
Me idealizei eterno, ou pelo menos com uma sobre-vida fabulosamente maior que qualquer ser humano já vivo nessa terra. Então me imaginei me formando médico, engenheiro, advogado, sendo um cientista com pesquisas extremamente aprofundadas, um especulador com talento nato apurado por séculos sobre qualquer espécie de negócio, o prefeito, governador, presidente, chanceler mundial, o próprio Fuhrer! 
E então, com todos os bilhões acumuladas, com meus descendentes comandando todo o planeta, nada mais se importando, e toda minha história caminhando para a involução. 
Deixaria minhas fortunas para trás, as guerras, a esperteza e a especulação, a sabedoria e a cultura, e assumiria cargos vulgares, trabalhos ordinários em funções triviais. 

Misturar no mundo, o anonimato, o viver mais um dia simplesmente porque nenhum luxo seria bom pra mim, nenhum castelo grande o suficiente, nenhum exército armado como gostaria exatamente que fosse. 

Então seria vagabundo, bandido, viciado por anos, pederasta, tarado, assassino e corrupto, corruptor e covarde, vacilante e vilão. 
Choraria sem ninguém pra me consolar, encheria meu coração de fúria e de destruição. 
Então, tentaria inventar a morte, mesmo sabendo que ela não poderia existir pra mim. 
Tentaria buscar o niilismo, mesmo sabendo que o nada nem mesmo a meditação e o nirvana poderiam de fato aplacar a mente e o corpo de um ser materialmente imortal. 
Acredito claramente, talvez por arrogância e vislumbre do meu estado atual, que eu buscaria tentar esquecer as experiências passadas, fugiria dos excessos e tentaria em fim ser uma cara normal, como eu ou como você, com um emprego, uma casa, um aluguel e um cartão de crédito para pagar. 
Porque esse são os problemas realmente suportáveis nesse universo, e nenhum outro mais.

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