quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Perigosa profissão sem motivo nem salubridade

    É o quarto ferimento que lhe inflingia naquele dia, e porra, sentia o gosto de sangue na garganta!  
    Revólver com duas balas, faca na cintura e respiração à meio pau no pulmão. Como odiava correr depois de ter fumado um maço inteiro de Marlboro vermelho! Mas agora tinha que se concentrar, que tudo estava por um fio, e era por um fio que gostava de viver a vida. Lógico que a adrenalina era boa, mas tem dia que é bom assistir cine corujão com uma cerveja na mão brincando com o gato sujo, mas esse não era o dia. Agora era hora de agir.
    Escutou passos no galpão escuro, viu gente arrastar passos e imaginou gente, mil inimigos passando sinal de zap uns aos outros para acabarem com sua raça. Ah, doce momento antes do fim, que sempre se revertia para o seu lado.
    Porque ele era assim, se imaginava um personagem de graphic novel que sempre saia vivo no final.
    Essa idéia fazia com que se mantivesse com a moral alta, com Guns`n`Roses na cabeça ao estilo Welcome to the Jungle no fundo e que foda-se o resto! Carpe diem e body count no chão...
    Respirou o último suspiro, sentiu o hálito de nicotina, se arrependeu de não ter tempo de acender um último cigarro, olhou o relógio, 2:30, fez o nome-do-pai meio torto, checou o gatilho, sentiu a jaqueta se arrastando no concreto cru atrás de si, viu que o coturno estava bem amarrada no pé, fechou os olhos por um segundo e recitou seu mantra: "um dois três, daqui a pouco escapo ileso, rio em casa e derrubo quatro pra depois comer cinco, com os maiores peitos do mundo!". E correu para o abate...

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