sábado, 19 de julho de 2014

Falou aquela amante de gatos

Mysterious Cat by GiovannyArceVejam os olhos desse gato! São amarelos, como âmbar, alguém dê sardinha em homenagem à fofura desse velhaco!

Quem foge do grito que mora lá dentro?

Quero novo, quero algo novo, que não posso sempre cantar nesse palco canções tão tristes sem verter algumas vezes inspiração.
Quero tédio, só um pouco de tédio, que de estresse e terror vivemos todo o tempo. Um copo de vinho por um minuto de silêncio na minha cabeça, e não falo de garrafa casta, mas coisa fina de boa cepa!

Ai, se me dessem mais tempo, pra falar quanto mais coisa quero, que sou um homem de paixão, rico de amor e cheio de evidências de um não bastar infinito!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Biblioteca Mário de Andrade

Masoch, o escritor que discursava

Em um tempo não muito distante, também não muito remoto, um escritor escreveu um livro contando uma história. 
writer-wretch  Era uma boa história, pensou, ao ver seu trabalho concluído. 
  Porém não sabia de fato como faria para que as pessoas lessem essa obra prodigiosa que custara lhe grande trabalho para sua construção. 
  Desolado, por ter em mais apenas seu original e nada mais, bem parentes bem amigos que gostassem de ler ou lhe pudessem indicar uma editora,  Masoch, esse é o nome que  lhe daremos, estava desolado, imaginando o ostracismo eterno de sua recém nascida história. 
  Um dia, voltando do trabalho e sem nada de importante para fazer, sentou se ao computador com café e rosquinhas nas mãos. 
  Olhou sites cotidianos, fofocas de celebridades e outras tantas trivialidades às quais estamos tão acostumados a doar nosso escasso tempo de vida útil. 
  Um link então o remeteu à uma página do you tube onde se encontrava um vídeo em que um aspirante a ator encenava um monólogo em frente à um pano preto. 
  A encenação era sofrível e o texto escolhido era péssimo, mas serviu de inspiração para o grande momento de epifania que Masoch teve. 
  Ele pensou em narrar seu livro em um grande vídeo com todas as vozes, tempos e pausas dramáticas que idealizara para seu texto. 
  Naquele dia e nos seguintes, Masoch nada mais fez do que preparar se para a narração. 
  No início, narrou em seu quarto, com alguns problemas de áudio ou de buzinas provenientes da rua em frente ao seu apartamento. 
  Depois, seus conhecidos e parentes começaram a ficar curiosos e decidiram bisbilhotar sua recém atividade secreta. 
  Com o tempo, porém, Masoch arrumou jeito para enfrentar cada um dos pequenos empecilhos que atravancavam seu projeto e deu prosseguimento â um fluxo consistente de trabalho. Masoch até se deu ao luxo de gravar trechos em bares onde fumaça cigarros, subindo montanhas, andando de bicicleta e até no consultório de sua dentista. 
  Todos que o viam achavam no louco, mas que mais deveriam fazer se sua loucura era inofensiva e pouco incomoda para os outros? 
  Falar por falar sozinho, por isso inventaram os celulares. Pois bem. Após um ano de serviço, pós termo ao seu projeto. 
  Tinha em maios um vídeo de quase trinta horas contendo a completude de sua obra. Narração, imagens bonitas e condizentes com o texto, até alguns efeitos especiais sonoros e demais  penduricalhos ornamentais. 
  Porém não sabia de fato como faria para que as pessoas assistissem esse vídeo prodigioso que custara lhe grande trabalho para sua construção. 
  Então depois de pensar por um dia inteiro, decidiu contratar um agente. Fim.

A mão esquerda da escuridão, de Ursula K. Le Guin

  O prefácio do livro dessa autora é o máximo. Ela diz que geralmente a ficção científica se dá por meio da extrapolação. Então, exemplifica que doses pequenas de alimentos ingeridos diariamente por seres humanos normalmente causam câncer em ratos em doses cavalares.
  E então compara isso à ficção científica extrapolada, que sempre torna o mundo futuro em algo caótico e potencialmente perigoso.
  Depois, Úrsula nos diz que existe também a ficção científica feita através do sentimento da época, ou seja, o que o autor sente das relações humanas no presente, e a experimenta em um contexto alienígena, não existente em lugar nenhum de universo que não seja sua própria mente criadora.
  Ela separa o profeta, alguém que prevê o futuro gratuitamente, o vidente, que o prevê por honorários, o futurólogo de forma assalariada, e então diz que o escritor de ficção científica não é de nenhuma forma comparável a eles, pois este vive da mentira descarada.
  O escritor não prevê nada, ele ao contrário inventa, ou seja, mente algo baseado como os seus conhecimentos e premissas de mundo presente.
  Cita no final o eterno paradoxo da escrita, que é utilizar-se dela para fazer com que pessoas pensem em coisas indizíveis em palavras. 
  A mentira, do ponto de vista semiótico, o símbolo no ponto de vista psicológico e a metáfora no sentido filosófico são as múltiplas facetas que um amontoado complexo de palavras pode assumir para criar a ilusão de um novo mundo que jamais existirá na cabeça do escritor e seu leitor.
  Como diria Mário Vargas Llosa em um ensaio, o romance não nasce da simples escrita de seu autor, mas na primeira leitura de sua obra. Excitante perspectiva.

Esboço das terras negras de Alice

Sobre os escombros e funéreos passeares de almas, restos de gente meio viva e  outras cousas de aspectos pútridos e causticantes, onde nos subsolos habitam grandes répteis metálicos de velocidade e ferocidade inimagináveis, apesar dos dóceis caminhos previsíveis, um lugar capitaneava os seres daquele mundo, em meio aos grandes e incomensuráveis quênions de concreto. Um lugar em que os seres disformes e mutantes ganhavam espaço para exercerem suas barganhas pela sobrevivência, e nada era de fato vil ou suficiente desnecessário para tornar-se desperdício. Muitos vinham de longe para os negócios nesse vale sagrado, outros apenas passavam para ir até os outros pontos do reino. Tudo passava por ali, e nada lhe fugia da percepção. Difícil é imaginar como tanta coisa podia se mexer ou respirar o mesmo ar nesse ambiente infestado de moléstia e vida extrema fervilhando, mas tente, mesmo que por um instante, mesmo que tenha de buscar na mais profunda e ardilosa cepa de seu inconsciente. Quando num lapso de vislumbre conseguir ver algo disforme remexendo-se em vermelho e negro como as entranhas de um porco expostas à céu aberto, quando sentir o calor humano latejar-lhe a têmpora como uma enxaqueca  cegante, daí pode dizer que teve uma centelha de consciência do que é esse inferno terrestre, conhecido pelos nativos e aventureiros como "A praça da Sé".

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A literatura humaniza o monstruoso, patria o estrangeiro, normaliza o esquisito, além de nos mostrar  que o que vemos no espelho, com todos os traços, cicatrizes e imperfeições, não é meramente o nosso reflexo, mas o do homem em si: complexos, aberrações, cultura, beleza e credos .

sexta-feira, 4 de julho de 2014

História curta sobre pequeno conto de alguém

Capítulo 1
-Amor, nada nessa terra pode nos separar!
E aí veio o meteoro.

Capítulo 2
Então ele pegou a máquina do tempo e retificou:
-Amor, nada no céu e na terra pode nos separar!
E aí veio o tsunami.

Capítulo 3
Mais uma vez, usou sua máquina e entoou, num brado forte:
-Amor, nada no mar, no céu e na terra pode nos separar.
E então dela veio uma pergunta ignorante, que o fez concluir:
-Meu bem, o que nué pa ser nué, nadiânta insisti, némesm?

baseado no original de Fábio Fernandes, encontrado no extinto blog PEQUENO DICION?RIO DE ARQUÉTIPOS DE MASSA no post de 6 de julho de 2003

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Idiotas, a filosofia e um rio.

  Qualqueromem andava pela calçada quando viu um rio na quina do quarteirão. Disse com seus botões, “agora o bicho pega.”, e então procurou artifícios para continuar sua jornada. 
  Sabeseláquem, andando de soslaio pela vida com seu bonito pedalinho, viu o vizinho e parou, perguntando então logo em seguida: “O que está fazendo?”.
  Qualqueromem, impaciente com a interrupção de seus pensamentos, respondeu: “Me irritando com um abelhudo que atrapalha minhas expectativas.”.
 Sabeseláquem, boca aberta pela ousadia do compadre, resolveu mudar a estratégia, tentando deduzir o que o outro fazia: ”Pelo visto está com um problema. O velho problema de sempre.” Então foi Qualqueromem quem curioso ficou: “Velho problema, e que espécie de empecilho seria este?”.
  Então Sabeseláquem, passando a língua sentido anti-horário nos lábios pouco depois de estalar a saliva da boca num claro sinal de saber muito bem quem é que mandava agora respondeu: “Ora, você quer saber como seguir, e na pior das hipóteses, pra onde seguir. Não sabe como atravessar a rio, não é mesmo?” 
  Qualqueromem fez fusquinha do risadão boçal de escárnio que o seu adversário fez. Tentou minimizar a situação, escondendo a sua vergonha, afinal ninguém gosta de se passar por ignorante na frente de um idiota. 
  Disse então: “Hahaha bobão, como se a minha vida fosse simples como a sua, pedalando feito um Nhônho essa bicicleta d´água de palhaço de circo”, Qualqueromem começou seu discurso assim porque todo mundo sabe que atacar é melhor do que se defender, e continuou então, “Não é que eu não saiba atravessá-lo, bagre, coisa que até uma ameba pedalante consegue fazer. 
  O que de fato eu não sei, seu estúpido, e por isso estava pensando à respeito antes que você ficasse me cheirando com sua curiosidade feito um cofap sarnentão, e como DEVO atravessá-lo!”. 
  Com uma caricata cara de nojo, Sabeseláquem, apoiando seus dois cotovelos no guidão de franjinhas azuis de seu pedalo jóia, não conseguiu replicar, só deu o repetéco: “Como DEVE atravessá-lo?”. “Sim, seu, babão! Vai babar um ovo lá no Capiberibe, que eu estou tendo um problema de ordem filosófica, tendeu não, norantão?”. 
  Sabeseláquem ficou pequenininho de fracasso, tentou pedalar pra ir embora com rabo no vão das pernas, mas não alcançava o pedal, teve que ir embora empurrando a pedalinho. 
  Ficou amarelado com esse problema ordenado pela filosofia, pois não conhecia nem essa senhora nem a ordem nem o problema em si. 
  Qualqueromem ficou com na cara a expressão feliz da vitória braços abertos com punhos fechados na cintura, em posição bonachona intimidadora até Sabeseláquem sumir de sua vista nos confins do riachão. 
  Falou em voz alta, para seus botões ouvirem: “Ah, esse trouxa, caiu certinho no meu truque. Agora ele foi embora e vai até ter pesadelo à noite. Pensando que era mais esperto que eu, té parece! Mal ele soubesse que eu só disse aquilo de filosofia porque escutei falar no jornal. Ler é conteúdo mesmo véio!”, disse isso e então gargalhou forte, como o diabo na pele de rei.
   Seus botões perguntaram então, curiosos: ”Qualquerómem, Qualquerómem, o que é que é filosofia?”, e foram logo achacoalhados vulgarmente, como prostitutas imbecis: “E eu por acaso estou pouco me lixando para o que seja essa pichorra? O que eu quero saber mesmo é quem que vai me dar carona pro outro lado desse picarralho desse rio!”

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Qual é o grande dilema

  Andando no metrô buscava nas pessoas pistas conclusivas após Mentor pedir para que meditasse sobre meu dilema. Um problema pode ser resolvido por diversos meios, diz, enquanto um dilema só pode ser solucionado através da mudança da consciência.
  Pensei nisso muito tempo ontem, sem chegar a nenhum resquício do fio de novelo que me tiraria do labirinto em que me encontrava. Tive sonhos atrozes, enigmáticos, pés flota-telúricos buscando novos aéreos-galgares.
  Nada, senão suores noturnos. Foi hoje, no meio de gente viva, ocupada, atarefada com o cotidiano é que tive a epifania, que veio a mim quase em gozo de êxtase.
  Qual é o meu dilema, a força motriz da minha estória, a que mociona meus filhos em busca dos seus graais? Agora eu sei, quando vi na minha frente, em iluminação onipresente, solar, áurea, mesmo naquele túnel feito de sobras e ansiedades que é o lugar de trespasse do trem. Tudo revoluciona em torno da redenção.
  Qual seria meu grande dilema, senão lutar pela aceitação do meu trilhar obscuro, justificar aos meus iguais meu andrajo nas noites de gala, minhas incursões caridosas aos degradados sociais, minha colecionar constante pelos fatos aberrantes? Ser aceito, ser entendido, compreendido, e afinal porque não dizer, amado, é o objetivo final que tenciono almejar com a conclusão desse meu bizarro permeio. A isso chamo de redenção. Porque sempre tive ojeriza de ser enterrado na vala comum do ordinário, e desde tenra idade cobicei meu nome nas constelações.
  Não pela glória cantada do povo, da qual me escuso se demonstro tal intenção, porque julgo-me protegido pelo anonimato, além de ter a chance de agir melhor disfarçado entre as massas.
  O que me inspira sim é a vitória imortal cravada em minha alma por ter cumprido o vaticínio de ter feito jus aos meus talentos natos que considero ter recebido. É ser bem quisto pelo meu povo, que no fim compreenderá que fiz algo digno com a cruz que recebi desde meu choro pós-natal, que mesmo recebendo alívio de seu peso por pessoas por mim inesquecíveis, nunca deixei de abandoná-la um só instante do meu caminho em vida. É mostrando meus atos finais, que intento justificar meus meios.
  Espero que através deles as pessoas interpretem um pedido de perdão. E, se assim for bem sucedido, a justiça divina fara elo com a terrena, para que coadunadas determinem o maior de todos os presentes que poderia ser-me ofertado, a derradeira redenção.
  Acredito que era isso que Mentor quisesse de mim, quando pediu que pensasse sobre o meu dilema. É isso então que tenho afinal, a lhe oferecer.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Se as mulheres são mal amadas, a culpa é de quem?

Na minha opinião, a questão se resume ao a ponto de vista. Culturalmente, o homem só depende dele para abordar uma mulher, enquanto que a mulher depende da abordagem do homem para que ela então decida as coisas. Lógico que as coisas estão mudando com a emancipação da mulher, mas a dança do acasalamento continua tendo regras pré-definidas firmadas pela tradição, que lembra aquela alegoria da donzela na torre e o príncipe salvador. Então, o homem, independente de sua culpa em relação a qualquer problema, tem um universo de preocupações bastante distinto das mulheres. Enquanto o homem se preocupa em como vai fazer pra subir na torre, a mulher preocupa-se em ser interessante o suficiente para que o homem queira subir na torre. Ou seja, num mundo moderno em que os papéis mudam-se e às vezes até se invertem, fica difícil para as mulheres ou os homens dizerem ao certo o que realmente precisam para encontrarem parceiros e manter a relação. Coitado dos jornalista que precisam escrever sobre o tema, sem terem ao menos refletido sobre o assunto! Pense no que temos hoje, mulheres que descem a torre de rapel, homens que não querem escalá-la para não quebrar as unhas, mulheres que escalam torres para salvar os homens pavoneando lá em cima....... como será então a geração das nossas proles? Tenho piedade dos que tentam se adiantar com palpites....

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Coisas que a gente testemunha

Um bar, na Sé, durante os matinais.
Blazer azul marinho gasto com seis botões dourados, três outros em cada gola, sapato meio surrado no  pé, calças sociais cinza chumbo dignas, apesar de idosas. O senhor está angustiado no telefone, fala algo sobre ter perdido o telefone , ter perdido o outro número porque lhe sumiu a agenda de trabalho. Apela paro o longo histórico profissional entre os dois, mas seu interlocutor está irredutível. Enquanto expõe seus argumentos, deixa escapar um suave sotaque nordestino, algo que notavelmente só traz um pouco de nostalgia ao diálogo, visto que muitos dos seus sessenta e poucos anos de idade foram vividos aqui em terras paulistas. Abranda os argumentos, escuta mais, só abre a boca para concordar. Eu sei, ele abusou da sorte, mas foi só isso, eu lhe garanto, ele não fez nada mais que isso. Concorda mais algumas vezes, sendo pouco a pouco derrotado pelo interlocutor, sabe que não tem mais cartas na manga. O erro foi crasso, sua experiência de longa data não pode tirá-lo dessa situação. Cita alguns fatos ultrapassados, tentando trilhar um novo caminho, pelos bons tempos. Não, não, o Dr. Eleutério desistiu da eleição, acha que não tem mais jeito. Ter sido assessor durante tanto tempo me fez ver muita coisa, diz, essa eu não esperava, peço que justamente reconsidere. Baixou cabeça, como vira-latas baixa o rabo. Apertou o telefone retangular de botões obsoletos, enquanto o depositava no balcão. Aparelho tão ultrapassado quando ele, e essas coisas velhas sempre acabam por ser substituídas. As coisas mudam, necessidades são saciadas de novas formas, dançarinos precisam saber dançar as músicas da moda. Enquanto pagava meu café, escutei ele cancelando o pão na chapa e pedindo um conhaque no lugar. Duplo, o mais barato, pra sobrar pro bilhete de metrô. Fui embora sem olhar pra trás.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Já te revelaram um segredo?


   Hoje aprendi uma coisa nova.
   Quem me contou essa coisa disse pra mim que tinha um segredo há muito tempo guardado, mas que não se importava em compartilhá-lo com alguém: os tempos já eram outros e não valia mais como antigamente.
   Mas confiava em mim porque disse que eu tinha olhos de arqueólogo e poderia me surpreender se contextualizasse a informação. Ou seja, em outras épocas esse segredo seria muito valioso, mas hoje estava guardado em um relicário por valores sentimentais.
   Pessoa z então contou a sua coisa. E, incrível, não é que era um bom segredo mesmo? Posso garantir que eu não conseguiria mantê-lo por pouco mais de 15 anos, como foi o caso; bem, talvez o mantivesse por uns dois ou três anos no máximo.
   Se bem que, envolvia outros, e envolvia o dono. Uns iria achar normal (carpe diem!) mas a grande maioria do povo é conservadora, e poderia dizer que tudo era muito vexaminoso. Obliterante da moral e dos bons custumes, eruditos diriam!
   Ou talvez ninguém dissesse nada, nem ligassem. Difícil dizer, pois tanto tempo se passou, e as coisas não são mais como antes. Mas algo eu posso garantir, categoticamente... eu ficaria pasmo se soubesse a coisa na época em questão.
   Ah, me ajudaria a confirmar uma série de teorias genéricas que fui obrigado a abandonar ao longo do tempo por falta de dados substanciais. Abriria meus olhos para os céticos ante teorias da conspiração. Afinal, não é uma conspiração se pensar. Só era daquele jeito porque era assim que deveria ser feito, e coisas assim devem, pelo menos naquele momento, ser mantidas em completo segredo.
Pelo bem dos envolvidos e de seus parentes desavisados, lógico!
   Pena que hoje não se valorizem mais essas coisas, e a pessoa em si talvez não se sinta tão especial quanto antes... mas por um momento, creio que sua estrela brilhou mais que nunca!
   Hoje não aprendi uma coisa nova, mas três.
   Aprendi algo sobre segredos e pessoas, aprendi o segredo em si da pessoa e, o mais importante, que não importa quanto tempo seu segredo ficou guardado a sete chaves, você sempre vai acabar dando com a língua nos dentes e contar ele para um língua solta como eu!
Brincadeira, eu consigo guardar ele por mais um tempo... quem sabe não é?
:)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.

   Porque o relemos com o mesmo prazer, ou talvez até maior do que o da primeira leitura.
   Um livro é bom se tem uma história que agrada, mas também pode ser bom por seu estilo ou por seus sentidos subliminares.
   Gosto do "Dicionário Kazar" porque me faz sonhar sonhos estranhos, por exemplo.
   Curto muito isso em livros.
   Agora estou lendo algo que me faz sentir bem, pela leveza da leitura: "O nariz de Pasquale".
   Bom, muito bom.
   Porque ele nos leva à uma emboscada: diz que é a história de um turista que decide passar seu ócio em uma cidade exótica, e de fato é isso que nos traz, porém notamos uma grande filosofia através das observações sensíveis das personagens locais através dos olhos nosso protagonista.

   Aclamado por sua estranheza e encanto, este livro conta a história de um advogado de Nova York que foge para uma pequena vila etrusca com sua esposa e bebê e descobre uma comunidade de excêntricos que os fazem se sentir em casa. Bairrista e saboroso como todo descendente de italianos sabe reconhecer!


   "Il Buco está localizado em uma das ruas mais curtas, estreita e escuras de Sutri. 
   Fiel ao seu nome e localização, é um buraco escavado na lateral de um edifício, como se o prédio tivesse sido operado em anos anteriores e que sua ferida não tivesse sido devidamente fechada.


   A sala de jantar de Il Buco não tem mais que cinco mesas, com o resto do espaço ocupado (em ordem de tamanho crescente) pelo refrigerador, Salvatore, e da lareira. Nas paredes de Il Buco - originalmente branco, agora coberto por uma fumaça cinza-patina, se encontram três pequenas pinturas sendo que uma das quais é um retrato de uma mulher que parece ter engasgado com uma salsicha. A pintora era uma mulher que recebeu alguma notoriedade durante a sua vida, e que. segundo Salvatore clama, jantou no Il Buco.

   Apesar das grandes quantidades de calor e fumaça geradas pela lareira, Salvatore encontra-se impávido, deslizando carne dentro e fora das chamas, seus braços passeando sobre a garganta de fogo. As labaredas não afetam Salvatore. Ele é o seu mestre. Salvatore é Vulcano."


   Legal mesmo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Içado, após rendido

 ...do mar mais distante é que te vejo, expondo-se graciosa por sobre o cais do meu desejo, chegando incólume e com ardor ao coração, obliterando meu olhar que vé só fogo e paixão / sereia, bela sereia, me confessa só uma vez/ não tenho ti, não tenho cais, não tenho nada, tudo não passa de uma ilusão.... por que me enganas, bela sereia?

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Para dizer num momento feliz

Ah, que louquinha!
Qualquer dia um anjo vem e belisca sua testa!

Professora

Quantos pequenos acham que merecem você.
Mas você não merece os pequenos, porque sabe que suas responsabilidades são maiores, pra não dizer piores.
Cuidado meu bem, senão os pequenos engolem você...

Confusão arquitetada

   Estou abismado com as possibilidades, a vida é tão curiosa quanto improvável!
   As vezes ando em círculos, vez por outras me esforço pra me perder, só pra conhecer novos caminhos, com luzes novas e brilhos intensos.
   Hoje vejo que a diferença é o prêmio sutil daquele que tem olhos treinados e acuidade para percebê-lo, porque não basta querer ver as coisas com outros olhos, também têm que querer enxergar!
   Calendoscópios, mosaicos e labirintos, que venham todos em sonhos pra mim hoje, que essa noite quero vislumbrar minha paixão sempre inconformada pela diferença! Ah, como é bom ter a liberdade, o frio arrepiante da brisa sobre os cabelos soltos, sentir seu cheiro de perigo, sua ilusão traiçoeira! Hoje quero amá-la, solitário, que pouco se sabe sobre a paz interior que não habite a mais profunda relação unitária entre os céus e o homem em seu pretenso singular. Vamos vento, me carregue, estou pronto pra sentir paixão!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Meu cantinho especial, em Montevidéu.


   Uma lembrança, por nefasta que se nossa memória, vez por outra fustiga nossa alma para que lembremos nosso verdadeiro trilhar por esse mundo. Poucas dessas memórias tenho em mim com tanta intensidade como a que me trás esse lugar. 
   Trata-se da sala de um albergue, mas muito mais importante que isso, são as impressão de velho casarão que nunca o abandonam, ao contrário, pululam em todo lugar como risos abafados de crianças e lampejo de família tradicional. Mas estranho, tudo soa fantasmagórico, atemporal por lá, ouso dizer que tudo é meio que abençoado por uma intensa melancolia. 
   Cada um nota o que quer, e eu notei o que importava pra minha vida que era meu sonho de infância, o almejo por escrever. 
   Hoje um enfeite, ou peso de porta, antes aquela antiga máquina de escrever foi algo que minha imaginação alçou como uma ferramenta de um jornalista, um escrivão de polícia, ou talvez de um grande escritor de romances uruguaios.
   E o cheiro, o cheiro daquele lugar! O clima perfeito, nem frio nem quente, mas fresco o suficiente para observar, por sobre as grandes janelas dessa sala, o passar de transeuntes despreocupados pelo bairro intelectual convidando o observador a esmiuçá-los, analisá-los, transformá-los em personagens de grandes intrigas ou simples poesia.
   É nesse lugar que decidi, em âmago e alma, escrever o que penso, o que imagino, o que crio só pra mim, e doar para o mundo. Parir esses filhos de sonhos e ser feliz por participar de alguma forma, com algo que é meu para outros que queiram comigo viajar. 
Quem tem um lugar,
mesmo que no coração, tem o mundo.

Quem tem um amor,
mesmo que distante,
é feliz.

Quanto tempo ainda posso sofrer,
mesmo sabendo que um dia ainda possa de ver?

Quanto tempo ainda posso viver,
mesmo sabendo que um dia possa te ter?

Sozinho, aqui, penso em ti.

F.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Dias Herméticos

   Quarta-feira fiz uma deliciosa torta que ninguém irá comer. Quinta-feira sem motivo aparente desci 2 estações de metrô depois da minha habitual, só para voltar a pé, e no caminho vi um mercado, entrei e comprei uma pimenteira e um pacote de chá de boldo. E quanto a sexta? 13. Só Deus sabe como será o fim de semana, mas pra mim não interessa.
   Por quê não interessa? Simples. Porque cansei de me interessar pelas coisas, pelos tempos, pelas pessoas, pelos planos, pela vida. Não estou deprimido, triste ou descabido, e pelo contrário do que pareça, continuo sendo um inconformado. A questão é que chega um momento que acredito que todo ser humano com um mínimo de ócio* passa em que percebemos que tudo o que fazemos é um tremendo clichê, um imenso lick de guitarra mundano**, e que não importa quão rápido e longínquo fujamos da maré, sempre seremos pegos por ela. Ou seja, não conseguimos ser originais, únicos, ou qualquer outro lero-lero. Sempre acabamos parte do ciclo vicioso, como diria Belchior, como nossos pais.
Por quê fiz uma torta pra ninguém comer? Por que chutei um copo de leite de quase um litro no tapete só pra limpar depois, por quê desci do metrô pra comprar uma pimenteira que não preciso? Pra ser excêntrico? Talvez. Mas isso não me faz nem um pouco diferente do grupo de habituais paranóicos-maníacos-deturpados-paulistanos do qual infelizmente fujo, mas que vejo agora, faço parte.
   Quero correr, fugir do meu emprego, da minha cidade, dos meus amigos, da minha vida, por um pouquinho só, apenas o suficiente para olhar de fora o sistema o qual faço parte, e ver se realmente sinto falta de algo. Porque dinheiro ou bem material nenhum no mundo me agraciam com a tentação pela longevidade. Quero explodir, quero derreter, quero ser nada, porque a vida inteira eu sofri almejando ser tudo! Ser bombeiro, engenheiro, padeiro, líder intelectual, ser gostoso, ser lindão, ser famoso, ser o maior amigo dos amigos do mundo! Agora quero Isso, esse Isso único, o ser Nada. Nem que seja só por hum ano, 10 dias ou dois segundos. Tenho certeza que só chegando Nisso é que poderei um dia saber se realmente quero alguma coisa. Talvez ser um clichê, por exemplo. Mas um clichê realizado.


*quem não pára(SIC) pra pensar não sofre, mesmo porque não pensa. 
**homenagem ao dia mundial do Rock. Que dia bobo. Prefiro o dia municipal do Forró.  

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Frase que escutei no mercado

Vai levá bolachinha recheada não, Messias?


daí parei, pus a a caixa de leite de volta na estante e pensei: é, português é o que está na boca do povo, o resto é só devaneio da academia brasileira de letras.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Comédia contraversa


Esqueça todas as indicações que eu fiz. Assista Happinness, 1998.
http://www.imdb.com/title/tt0147612/

São histórias de várias pessoas.
Mas os diálogos, épicos, do pai certinho(!?) e do filhão descobrindo o mundo são fascinantes.

um deles, parafraseado de memória:

-Pai, o que é gozar?
-É um liquido espesso que sai do seu pênis durante uma grande momento de excitação.
Filho envergonhado.
-Filho, você já gozou?
-Já pai.
Pai vê cara de filho constrangido.
-Não precisa mentir para o seu pai.
-É que todos na classe já gozaram.
-Não se preocupe filho. Um dia você conseguirá gozar. Você costuma brincar com seu amigo?
-Bem, já, mas não sei o que fazer.
-Bom, filho, se você quiser, eu posso te mostrar...
-Não pai, obrigado.
-Mas se precisar de ajuda, pode contar comigo...
-Certo pai.
-E não deixe de praticar, ok filho?
-Ok pai, boa noite.
-Boa noite, garoto.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Vc não mede as palavras!

 Eu pinto sua vida de um colorido que não tem matiz igual nas suas experiências anteriores. Então estranha.

Qualidade duvidosa?

Paulo Coelho, Stephen King, Jorge Luis Borges, Shakespeare são todos farinhas do mesmo saco. Contadores de história que ganham a vida escrevendo. Falar sobre qualidade das obras é no mínimo equivocado: o momento exige o autor correto, para a experiência eficiente. Falar bem ou mal de algum desses, mais que gosto, ao meu ver, vai de acordo com a moda, ou a tendência da época. Meu conselho, por derradeiro, é  não perder tempo repetindo o que os outros dizem; leia tudo, leia cada autor, curta cada história. O instinto as vezes funciona melhor que uma indicação daquele seu amigo jóia, que diz saber diferenciar o essencial do lixo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Santiago do Chile

Andar à pé em Santiago é uma experiência única. com um plano urbanístico bem definido e agradável, possui um sistema de transporte sensacional, sem contar a educação do povo, que é atencioso e gosta de contar sobre sua cultura e cidade. Curioso, eles conhecem muito sobre o Brasil, desde política até futebol! Com blusa leve deu pra passar praticamente 10 dias de inverno sem problemas, desde que você esteja acompanhado do sol: escureceu ou fechou o tempo esfria muito repentinamente! Um passeio maravilhoso, pra fazer várias vezes na vida. Recomendo!